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Cada crônica deste livro é uma fresta por onde o autor observa a vida contemporânea com o olhar desconfiado de quem já viu muita moda passar, mas também com a delicadeza de quem sabe que, mesmo no tumulto, ainda há beleza, espanto e humanidade.
O leitor encontrará aqui uma coleção de temas que, à primeira vista, parecem dispersos: infância, ciência, futebol, política, tecnologia, memória, cotidiano, cultura pop, filosofia, América, Brasil, Minas. Mas basta avançar algumas páginas para perceber que tudo se amarra por um fio invisível: o da experiência humana. O autor não escreve para explicar o mundo; escreve para iluminá-lo por dentro, com aquela luz oblíqua que só a crônica permite.
Há textos que investigam o passado com rigor e ternura, como O Menino no Espelho, Magnifica Humanitas ou Houve uma vez uma fogueira. Outros examinam o presente com ironia fina, como A república das farmácias, Mundo soft, Falta caroço nesse angú ou Farmar aura. Há ainda aqueles que se debruçam sobre os pequenos assombros da vida moderna, como O ancião e o aplicativo, A ponte sumiu, A experiência humana e A vida provisória. E, como não poderia faltar, há os textos em que o autor se permite brincar com o próprio ofício, como Vida de cronista e O último grande livro.
O conjunto forma um mosaico que não pretende oferecer respostas definitivas, mas convida o leitor a caminhar por essas histórias com o mesmo passo mineiro que as gerou: atento, desconfiado, curioso e sempre aberto ao espanto. Cada crônica é uma pequena dobra do mundo, e o autor se aproxima delas com a paciência de quem sabe que a verdade raramente está na superfície.
Vento Solar é, portanto, mais que uma reunião de textos: é um retrato da nossa época visto por alguém que não se deixa seduzir pela pressa, pela embalagem ou pela espuma dos dias. Aqui, o que importa é o caroço, mesmo quando falta. É o gesto, mesmo quando discreto. É o pensamento, mesmo quando atravessado por humor. É o afeto, mesmo quando escondido atrás de uma ironia.
Ao final, o leitor perceberá que todas essas crônicas, tão diferentes entre si, conversam umas com as outras. E que, juntas, compõem uma espécie de mapa afetivo do nosso tempo, um mapa que não aponta caminhos, mas revela paisagens. Paisagens humanas, demasiadamente humanas.
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